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Política : Será que podemos contar com eles?
em 2009/11/19 12:10:00

A cada dia que passa, cada vez mais nos vamos surpreendendo, à medida que aqueles que tanto dizem defender os trabalhadores tomam atitudes aparentemente estranhas, mas que no fundo vão revelando o seu verdadeiro carácter oportunista de estar na política.
Desenganem-se aqueles que pensam que se tratou de uma avaliação errada e circunscrita a uma localidade, uma vez que aquele tipo de alianças que o PCP vem apadrinhando se vai generalizando por todo o país (não olhando aos meios a que recorre nem com quem se coliga ― “não importando até que seja com o diabo”) desde que sintam que o seu controlo sobre as coisas está a ser posto em causa, o que não deixa de ser profundamente desonesto e francamente oportunista.


Neste caso, tudo aconteceu em Alhos Vedros no dia 30 de Outubro (mas também na Moita, Lavradio e sabe-se lá onde mais…) e em resultado das últimas eleições autárquicas, onde o PCP perdeu a maioria absoluta na Assembleia de Freguesia de Alhos Vedros e, para não perder o controlo da situação, chamou para junto de si para integrar a sua lista para gerir os destinos desta freguesia com tradições de esquerda, não um dos dois eleitos do Bloco de Esquerda (já que eram os que ideologicamente lhe estão mais próximos) mas um autarca de direita eleito pelo PSD para fazer parte do executivo, numa manobra oportunista que é bem reveladora do seu desespero, que visa unicamente manter o poder a todo o custo, aliando-se à direita, quando nos seus discursos tanto diz combater, mas que na prática e conforme as conveniências lhes vai servido de “bengala”.

No preciso momento em que o PSD nas últimas eleições autárquicas foi castigado pela população de Alhos Vedros, ao relegar aquele Partido para 4ª força política na freguesia, e ter reduzido a sua expressão no nosso concelho (ao não conseguir eleger o seu vereador Luís Nascimento), por estranho que pareça, veio agora o PCP (sim o PCP; ― porque os “Verdes” são apenas um mero anexo sem expressão na sociedade portuguesa, e que apenas serve de “bibelô” para que a CDU aparente ser uma coligação) salvar o PSD do naufrágio, com um único objectivo; assegurar uma maioria absoluta que perdeu nas urnas, aliando-se àqueles que sempre considerou seus inimigos de classe.

Que dirão os velhos militantes comunistas; ― esses sim forjados na têmpera da experiência revolucionária e com tradições de luta, ao verem esta nova geração que se apoderou do seu partido (que exibe oportunistamente as bandeiras de Che Guevara e os lenços de Arafat, mais por uma questão de estética e moda circunstancial, quando antes acusavam aqueles dirigentes revolucionários de esquerdistas) ― geração essa que nunca passou pela dura experiência da luta de classes contra ao fascismo, vir agora trair os princípios mais elementares e muito queridos à esquerda em Portugal, ao fazer alianças com a direita do PSD, fingindo ignorar os resultados eleitorais.

Esta manobra, sem dúvida, tem uma explicação; ― Impedir o escrutínio e a fiscalização que decerto a oposição (a que não é dócil, nem aceita ser corrompida com lugares no executivo para ser silenciada, como aconteceu com o PSD) lhes iria fazer, o que denota, da parte do PCP, alguma intranquilidade pela forma feudal e pouco clara como tem exercido a sua gestão no concelho da Moita ao longo dos sucessivos mandatos.

Penso que todos os cidadãos presentes na sala da Junta de Freguesia no dia da tomada de posse e os habitantes de Alhos Vedros em geral (que penalizaram o PSD e que quiseram numa manifesta falta de confiança retirar a maioria absoluta ao PCP) se sentiram frustrados, profundamente enganados pelo acto de traição de que foram alvo, ao verem os destinos da Junta de Freguesia de Alhos Vedros ser partilhada, não por entendimentos que proporcionassem uma coligação à esquerda, mas sim por uma coligação com a direita ― ou seja, entre o PCP e o PSD, este último fiel representante dos interesses dos construtores locais, dos grandes banqueiros e industriais, cenário que os habitantes de Alhos Vedros nunca pensaram ser possível, num concelho que perfilha os valores sociais e o combate às desigualdades que são património da esquerda, e numa terra de tradições de luta operária e anti-fascista contra a ditadura.

Penso que a população de Alhos Vedros se deve sentir profundamente indignada, dado que se tratou, para além de um acto de vil traição, mas também de um total desrespeito pela vontade do eleitorado que votou à esquerda, tendo o PCP subvertido e traído (num golpe cínico e inqualificável) a vontade dos Alhosvedrenses, assim como a verdadeira expressão dos resultados eleitorais de 11 de Outubro de 2009.

Carlos Vardasca

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