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Concelho da Moita - Apresentação
O concelho da Moita tem um vasta frente ribeirinha, com mais de 20 Km de extensão, que apresenta potencialidades muito especiais para a actividade turística e para a criação de espaços de lazer. Aqui têm vindo a ser criados equipamentos colectivos de grande envergadura como parques ribeirinhos ou a zona lúdica na caldeira da Moita. O objectivo é reaproximar as populações do Rio Tejo que em tempos determinou o povoamento e o modo de vida nesta região e que hoje é já espaço e fonte de lazer.

Percursos pela beira-Tejo

Seja qual for o meio de transporte escolhido ou o ponto de partida, vale a pena vir à descoberta da zona ribeirinha do concelho da Moita. Da Baixa da Banheira a Sarilhos Pequenos, a paisagem é diversa mas o Tejo, esse, é comum. São 20Km de margens, alternando entre as zonas verdes tratadas, sapais, antigas salinas, cais, estaleiros navais e, praias fluviais.

Propomos 4 percursos, alternativos ou para descobrir, calmamente, um de cada vez.

Percurso 1 - Parques e jardins

Na Baixa da Banheira, deixe a EN11 e vire em direcção ao Parque da Zona Ribeirinha. Estacione o automóvel, se for o caso, e aproveite para fazer uma caminhada em família ao longo do Parque que acompanha o recorte natural das margens do Tejo. Pode também subir ao miradouro e apreciar uma outra perspectiva do vasto parque ribeirinho (40ha), construído para reaproximar esta vila operária do seu rio.

Já em direcção à Moita, visite, à entrada da antiga vila de Alhos Vedros, o Parque das Salinas, cuja concepção segue a mesma filosofia do anterior. Também aqui a área verde de lazer foi "ganha" ao rio, através da recuperação das antigas salinas desactivadas e vazadouros. Virada para o Parque das Salinas, está a Igreja Matriz de S. Lourenço de fundação medieval. Com as suas interessantes capelas, esta é uma das mais importantes peças do conjunto patrimonial desta vila.

Chegado à Moita, siga pela Rua do Rosário, no fim da Avenida Marginal, em direcção à característica localidade do Gaio. Aí procure a indicação "Estaleiro Naval" ou "Parque das Canoas", cujo nome não poderia ser mais apropriado. Construído junto ao Estaleiro Naval de barcos tradicionais do Tejo, este parque é o local ideal para passar um fim de tarde no sossego da beira-Tejo.

Percurso 2 - Antigas salinas e avifauna

Entre Sarilhos Pequenos e Alhos Vedros, são ainda visíveis os restos de antigas salinas, junto aos sapais e outras zonas naturalizadas. Destacamos, pela sua acessibilidade, a zona da antiga Quinta do Esteiro Furado, para ver da estrada municipal entre Sarilhos e Rosário (trata-se de propriedade particular) e as antigas salinas junto à estrada entre o Gaio e a Moita, à chegada a esta vila.

Entre as várias espécies de aves aquáticas que os amantes da natureza aqui podem observar, contam-se os populares flamingos, visíveis durante quase todo o ano na baixa-mar (com mais facilidade, na Caldeira da Moita), sobretudo a partir do fim do Verão até ao Inverno, época em que o Tejo chega a albergar vários milhares de indivíduos dispersos por todo o estuário.

Percurso 3 - Cais e estaleiros navais

O Cais do Descarregador em Alhos Vedros é uma paragem obrigatória para quem se interessa pela história e pelas actividades tradicionais ligadas ao rio. Junto ao Cais, encontra-se o Moinho de Maré e a sede da Associação de Desportos Náuticos "Amigos do Mar".

Na Moita, o antigo cais, construído no séc. XVIII, testemunhou o vaivém dos barcos do Tejo, carregando e descarregando produtos agrícolas e passageiros entre esta margem e capital. O Centro Náutico Moitense situa-se igualmente nas imediações.

No Gaio, o estaleiro naval de Mestre José Lopes merece uma visita, pelas técnicas artesanais ainda hoje empregues na recuperação de embarcações do Tejo.

Em Sarilhos Pequenos, no Esteiro da Elisa, pode visitar também o estaleiro naval, propriedade de Jaime Ferreira da Costa & Filhos. Aqui, apesar das técnicas de construção terem acompanhado a evolução tecnológica, a vocação dos barcos do Tejo e o enquadramento na paisagem conferem-lhe igualmente características únicas. E mais uma vez. o clube náutico local - a Associação Naval Sarilhense - não se encontra longe, embora o caminho até lá justifique uma volta mais atenta pela povoação de antigos marítimos, onde são conhecidos os excelentes artesãos de miniaturas de barcos típicos do Tejo.

Percurso 4 - Praia Fluvial do Rosário

Para aproveitar os dias de Verão, sugerimos um dia passado na Praia do Rosário, descansando nas calmas areias salpicadas por conchas das famosas ostras do Tejo (cuja apanha constituiu outrora o único sustento de muitas famílias), ou petiscando no agradável parque de merendas ou ainda deliciando-se com uma caldeirada à fragateiro num dos restaurantes locais. Se for dia de largada de touros na praia, previna-se contra as investidas mas não deixe de apreciar a particular luminosidade do fim de tarde no adro da capela manuelina alcandorada sobre o Mar da Palha que apaixona, até hoje, fotógrafos, realizadores de cinema e publicitários, para já não falar dos próprios rosarenses.

Percursos Ribeirinhos no concelho da Moita

A pé ou de bicicleta, sozinho ou com um grupo de amigos, parta à aventura e deslumbre-se com as paisagens naturais que o concelho da Moita oferece, seja na frente ribeirinha ou nas zonas mais rurais do interior do Município.

Sugerimos dois percursos alternativos - o Percurso do Fragateiro e o Percurso Ribeirinho - de acordo com a sua condição física. Qualquer que seja o escolhido, ambos os percursos vão proporcionar-lhe momentos únicos de fruição da natureza.

O Percurso Ribeirinho é o indicado para quem se está a iniciar nas caminhadas, pois é o mais curto, com 9 km, e o mais fácil de percorrer. O seu início tem lugar no Cais da Moita, seguindo depois pela ciclovia até ao Gaio. Pelo caminho, esteja atento às margens do estuário, onde pode avistar antigos viveiros e salinas, desfrutando de toda a calma que a zona ribeirinha do Tejo proporciona. Já no Gaio, observe o Parque das Canoas e o Estaleiro Naval, bem como alguns barcos típicos do Tejo.

Para os mais aventureiros, existe o Percurso do Fragateiro, com cerca de 16 km. Este percurso inicia-se também no Cais da Moita, segue pelo Gaio/Rosário e inclui a passagem pela ciclovia Moita-Rosário, pela Praia Fluvial do Rosário, por caminhos de terra batida, antigas salinas e viveiros, estaleiros navais, três parques de merendas e também pela Zona de Protecção Especial para Aves, em Sarilhos Pequenos, terminando no Parque Municipal da Moita. Com a duração de 3:30h, o Percurso do Fragateiro permite conhecer alguns aspectos da zona mais interior do concelho da Moita e também os coloridos núcleos urbanos do Gaio, Rosário e Sarilhos Pequenos.

Em ambos os percursos, e dependendo da época do ano, poderá observar diferentes aves de que o Flamingo Comum, o Perna Longa, o Pato-Real, o Galeirão-Comum, o Corvo Marinho são apenas alguns exemplos. Basta, para isso, que esteja atento, ao percorrer as zonas ribeirinhas.

Para o ajudar a fazer estes percursos, a Câmara Municipal, com o apoio do Programa “Mexa-se”, do Instituto do Desporto de Portugal, editou um guia que poderá ser uma boa ajuda.

Observação de aves – uma actividade a descobrir

O Estuário do Tejo, além de estar entre os maiores da Europa, apresenta também uma grande diversidade de habitats escolhidos pelas aves migradoras – salinas, sapais, lodos e vasas – que constituem importantes locais de reprodução, nidificação, alimento, repouso e abrigo.

A riqueza de recursos e a sua localização geográfica, na rota das migrações da generalidade das aves aquáticas da Europa que invernam na Península Ibérica e África Ocidental, fazem deste Estuário uma das mais importantes zonas húmidas do continente europeu no que diz respeito à avifauna. Na margem esquerda do Estuário do Tejo, o concelho da Moita partilha com as restantes zonas húmidas à beira-Tejo de condições ambientais que convidam à paragem de aves aquáticas migradoras, sendo igualmente local de invernada para numerosas espécies.

No início do Outono, milhares de aves começam a chegar ao Estuário do Tejo, vindas do Norte da Europa em busca de alimento e de clima mais ameno. Muitas delas estão apenas de passagem para o continente africano, mas outras vêm para aqui passar o Inverno, chegando a registar-se a presença de cerca de 120 mil indivíduos neste último grupo. Nas áreas entre-marés – areias, lodos e sapais – ricas em alimento para peixes e aves, podem encontrar-se cerca de 50 espécies diferentes de aves que se alimentam de lambujinhas, minhocas, pequenos crustáceos e materiais vegetais como algas ou outros.

Patos, aves limícolas (que se alimentam no lodo) e outras aves como a gaivota, a garça-real, o guincho e o flamingo-comum podem observar-se entre Setembro e Fevereiro, sobretudo de manhã cedo e ao entardecer. Mas outras oportunidades não faltarão para partir à descoberta das aves aquáticas que nos visitam nas antigas marinhas e salinas, junto ao Cais da Moita e Cais do Descarregador, em Alhos Vedros, ou mesmo nos sapais junto à estradas que ligam a Moita ao Rosário e o Rosário a Sarilhos Pequenos. Com sorte, poderemos depararmo-mos com o espectáculo do vaivém de um bando de maçaricos-de-bico-direito ao crepúsculo (uma das espécies mais comuns), distinguir os padrões brancos e pretos dos alfaiates de bico recurvado – a ave símbolo da Reserva Natural do Estuário do Tejo – ou descobrir a mais espectacular de todas, o rosado e simpático flamingo.

Pelo seu porte e visibilidade, os flamingos são, sem dúvida, a espécie mais popular entre as aves aquáticas e podem ser vistos durante quase todo o ano, especialmente durante o Outono e o Inverno.

Os exemplares que se encontram no Estuário do Tejo são possivelmente originários de duas colónias existentes no Mediterrâneo, a da Camargue (França) e a da Fuente de Piedra (Espanha).

Mas porque as aves aprenderam a recear o homem, é indispensável ao observador de aves atento avançar tranquilamente e com o mínimo de barulho, não se expondo demasiado para não as perturbar. Binóculos, um guia sobre aves e uma máquina fotográfica são também auxiliares perfeitos numa actividade compensadora para os amantes da natureza, nesta época do ano.

Do Povo Caramelo no concelho da Moita

Começaram a chegar às zonas de Azeitão, Palmela e Moita nos finais do século XVIII, vindos das suas terras de origem, na Beira Litoral, à procura de melhores condições de vida. Desbravaram e povoaram terras de mato e pinhal e foi nesta região que foram apelidados de "Caramelos".

Com muita vontade de trabalhar, os primeiros Caramelos a chegarem ao concelho da Moita, desde finais do século XVIII até meados do século XIX, começaram por limpar os matos e pinhais da Barra Cheia, Arroteias e Brejos, transformando-os em terras férteis, apropriadas às culturas de sequeiro e ao plantio da vinha. Após as colheitas, regressavam às suas terras de origem nos concelhos de Cantanhede e Mira, regressando novamente na próxima campanha de trabalho jornaleiro, razão pela qual eram chamados, pelas gentes da borda d'água, de ''Caramelos de Ir e Vir''.

Com o passar do tempo, o povo caramelo foi adquirindo as suas próprias parcelas de terra onde construíram casas de adobe (de terra e barro com cobertura em palha e posteriormente de telha). Uma vez fixados nesta região, iniciaram as sementeiras de batatas, cereais, vinha e outras culturas, destinadas sobretudo à sua própria subsistência. O pão, a batata, o feijão e o repolho, acompanhados de toucinho e peixe, constituíam a base da sua alimentação.

Os usos e costumes dos antigos caramelos, povoadores de uma grande parte da zona rural do concelho, chegaram até nós através da tradição oral e de pesquisas empreendidas por estudiosos de toda a "Região Caramela".

No concelho da Moita, o Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia, fundado em 1980, deu o seu importante contributo para a recuperação das tradições caramelas, ao recriar as danças e cantares, as fainas diárias e o trajar das suas gentes.

Do que se apurou, nos finais do século XIX, os homens usavam camisa sem colarinho, calça de cotim ou riscado e quando estava frio e as circunstâncias sociais o impunham usavam colete e, na cabeça, um chapéu. Nos dias de festa, trajavam fato completo. As mulheres, de rostos corados, vestiam, no seu dia-a-dia, blusa e saia de chita ou de cotim, avental, lenço na cabeça e andavam descalças. Sempre que iam à vila da Moita, vestiam blusa e saia de cores berrantes, com muitas rendas e entre- meios, lenços garridos e sapatos atamancados.

A designação de Caramelo, que se pensa ter derivado de "Caramuleiro" (isto é, da região da Serra do Caramulo), ficaria assim para sempre associada à garridice do trajar e aos usos simples e rudes da gente do campo.

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