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O rio também sobe e desce

É verdade. No sobe e desde, andamos nós desde que nascemos. Como os rios! Tão depressa subimos, como descemos. Só que a subir o percurso é mais difícil. Mas, com a ajuda dos amigos, congratulamo-nos com a subida. Simples, mas determinantes.

Porém, se alguém nos empurra para o precipício, o óbvio acontece, começamos a flutuar. Flutuamos, flutuamos, até não mais sermos encontrados.

Não por culpa do timoneiro! Mas, e várias têm sido as vezes, por culpa dos remadores. O timoneiro diz: vamos por além! Mas os remadores, fazendo ouvidos moucos, fazem o contrário e dizem que, no rio, não há condições para navegar. Até o barco se afundar.

O rio, de facto, não tem mais potencial navegável. Isto porque, não deram ouvidos ao timoneiro. Se o tivessem feito, o rio continuaria despoluído e navegável.

Mas não é isso que acontece e há que secar o rio, para deixar de haver navegação.

Com o rio na secagem, então, poderão chutar suas bolas para os confins do mundo, neste mesmo leito (ou outro), mesmo que essas bolas não sejam de verdade. Serão bolas quiçá de sabão. Pouco durarão. Tal como acontece a algumas pessoas que ocupam lugares efémeros. Mais não são que bolas de sabão.

Bem hajam tais cabeças, que pouco têm e não se enxergam da sua pequenez.


> Adalberto Carrilho
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