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Desporto : Baixa da Banheira: UDCB quer concretizar o sonho da construção do parque desportivo
em 2010/2/8 0:50:00

A União Desportiva e Cultural Banheirense é o resultado da fusão de três clubes de futebol banheirenses: Real, Leais e Racing, feita há 24 anos. Na origem desta União está a necessidade sentida pelos associados de se fazer um clube maior, capaz de ter infra-estruturas próprias, designadamente um campo de futebol com as devidas condições para a prática da modalidade.

Não admira, portanto, que os primeiros dirigentes da UDCB e todos os outros que se lhes seguiram tenham trabalhado para alcançar o almejado sonho de construir um parque desportivo.

É neste contexto que a direcção da União Desportiva e Cultural Banheirense promoveu esta reunião com deputados de partidos com assento na Assembleia da República, no dia 5 de Fevereiro, na sede do clube. De todos os grupos parlamentares só um deputado do PCP, Paula Santos, esteve presente, o grupo parlamentar do BE fez-se representar por António Chora, e os restantes partidos, PS, PSD e CDS, primaram pela ausência. O CDS-PP ainda teve a gentileza de justificar a não comparência, mas os outros nem isso.

Helena Gregório, secretária da direcção da UDCB, exprimiu a O RIO o seu desalento e a força do seu querer: “Há 20 anos que andamos com isto e não se consegue perceber como é que se fez um clube gastar tanto dinheiro naquele terreno, para depois lhe “tirarem o tapete”, recusando a assinatura de aprovação final da candidatura financeira para a construção da obra. Então, já que nos cortaram os 750 mil euros da primeira candidatura, aprovem-nos, pelo menos, as candidaturas faseadas de 100 mil euros que estão em curso”.

A abrir a reunião, Carlos Sotero, presidente da UDCB, justificou-a com a intenção de pedir ajuda, às entidades convidadas que compareceram, para a execução dos projectos do clube referentes à construção do parque desportivo.
O presidente da UDCB fez o historial do processo de construção do campo de futebol, salientando: “Há cerca de 10 anos que temos o projecto elaborado, com a preciosa ajuda da Câmara da Moita, e fizemos algumas intervenções no terreno com o apoio do saudoso construtor civil Avelino da Costa Rodrigues e de outros banheirenses amigos do clube. Para sairmos do impasse em que temos estado e podermos avançar com a construção do parque desportivo, pedimos às entidades competentes que viessem a esta reunião para nos ajudarem a avançar no nosso objectivo, mas infelizmente nem todos compareceram”. “O que peço é ajuda, ideias que nos possam catapultar para uma situação melhor”, esclareceu.


Rui Garcia, vice-presidente da Câmara Municipal da Moita, disse conhecer esta justa ambição do União Banheirense, uma ambição que tem uma longa história. Falou do empenho e da ajuda da Câmara neste processo e da vertente do Estado e das instituições dependentes do Governo, “onde o empenho não tem sido o mesmo, com a agravante que esta vertente tem à mistura um contexto de hipocrisia, de mentiras e de falsidades, dizendo hoje e desdizendo amanhã, e o que temos assistido é conforme muda o ‘turno’ no Governo assim mudam as posições na Assembleia da República. E exemplificou: “o PCP tem apresentado propostas para a inclusão em PIDDAC das verbas necessárias à construção do campo de futebol da União e o que se tem verificado é que o PS e o PSD quando são oposição votam sim e quando são governo votam não, e esta é a razão fundamental porque não existe ainda o campo de futebol do Banheirense”.

“No fundamental, o pouco que os clubes vão conseguindo construir é na base dos seus próprios recursos e do apoio que as autarquias lhes vão concedendo, apesar das suas limitações financeiras”, afirmou Rui Garcia. Por exemplo, – acrescentou – a Câmara da Moita cedeu graciosamente o terreno, fez as terraplanagens, pagou os estudos geológicos necessários, suportou o custo dos vários projectos, e irá comparticipar a execução da obra. “Tudo isto perfaz uns bons milhares de euros”, concluiu.

António Chora, representante do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, começou por referir alguns dos aspectos mais significativos da história da UDCB e disse que, em 2006, o BE apresentou um requerimento ao Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território sobre a recusa sistemática à aprovação da candidatura de financiamento do projecto. A resposta do Ministério foi que o projecto estava definitivamente rejeitado porque Governo passava a aprovar projectos só até 100 mil euros, isto sem prejuízo do clube apresentar novas candidaturas faseadas. Portanto, “a construção do parque desportivo tem mesmo de ser progressiva, por fases”, acentuou.

Então, Carlos Sotero esclareceu: “Nós já entregámos duas candidaturas ao Sub-Programa II, no valor de 100 mil euros, uma no 2º trimestre e outra no 3º trimestre de 2009, mas ainda não recebemos qualquer resposta”.

Paula Santos, deputada do PCP, assegurou que o PCP tem feito e tudo fará, o que estiver ao seu alcance, para apoiar a concretização deste importante projecto para o clube e para a Baixa da Banheira, aliás, temos incluído, há alguns anos, a construção deste parque desportivo nas nossas propostas de PIDDAC e, este ano, voltamos a fazê-lo. Sabemos que cabe ao Governo apoiar a construção destas infra-estruturas e, naturalmente, o movimento associativo popular, para que a prática do desporto se democratize e seja acessível a todos, é neste sentido que o PCP intervém, designadamente ao fazer a proposta em PIDDAC para a concretização deste investimento de forma faseada. A deputada comunista deu uma palavra de estímulo aos órgãos sociais e aos sócios da União Banheirense pela sua persistência ao longo de todos estes anos e pelo trabalho desenvolvido em prol da colectividade e da comunidade. “Devemos é continuar a exigir a quem tem esta responsabilidade que cumpra os compromissos que foram assumidos para a comparticipação financeira deste projecto”, sublinhou.

“O clube já esteve a uma assinatura para o caso do campo ficar resolvido, só faltou a assinatura do secretário de Estado, demorou tanto a assinar que o Sub-Programa acabou”, ironizou Júlio Pinto, membro da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira.

Também presente, o representante da Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, José Manuel Fernandes, falou das diversas lutas da Confederação em defesa do movimento associativo popular e incentivou os políticos ali presentes a apoiarem o projecto da União Desportiva e Cultural Banheirense.

Joaquim Gonçalves, presidente da Assembleia Municipal da Moita, lembrou que a Câmara Municipal cedeu o terreno para o parque desportivo da União Banheirense e que o Governo não tem dado o apoio necessário, no entanto, é o movimento associativo que promove a cultura e o desporto para as populações do país. Portanto, “há que inverter esta política cultural e desportiva e começar-se a apoiar o associativismo, até como forma rentável para o país e para o povo”, afirmou.

Joaquim Raminhos, vereador do BE na Câmara Municipal da Moita, reconheceu a grande necessidade deste parque desportivo, não só para a União Banheirense mas também para a população da freguesia da Baixa da Banheira e do próprio concelho. Raminhos reconheceu igualmente a grande injustiça que é o arrastamento deste processo, considerando-o injusto. Avançou que o BE iria fazer todos os esforços para, conjuntamente com as outras forças políticas e autárquicas e com a direcção e os associados do clube se possa levar por diante este projecto. O vereador do BE defendeu o envolvimento de todas as forças políticas, particularmente o PS que poderá ainda não estar ganho para este processo, mas deverá ser confrontado com as promessas não cumpridas e, sobretudo com o apoio que é necessário para a concretização do projecto.

A seguir, o debate generalizou-se com a intervenção dos associados, alguns deles antigos dirigentes e atletas do clube, que deixaram claro de quem é a responsabilidade do atraso na aprovação das candidaturas e expressaram o sentimento de frustração que existe no clube e na comunidade banheirense, em relação à necessidade de concretização urgente do projecto de construção do parque desportivo.

No fundamental, enumeramos os factos mais salientes, relacionados com o objectivo da reunião:

● A saga da UDCB para a construção do parque desportivo já tem mais de 20 anos.

● Sucessivas mudanças de Governo foram adiando sucessivamente a candidatura de financiamento do parque desportivo.

● Alguns sócios do clube queixam-se da “má vontade política” de algumas entidades que têm impedido a aprovação da candidatura de financiamento.

● Rejeitada a candidatura de 750 mil euros, o clube apresentou, em 2009, duas candidaturas de 100 mil euros.

● Neste momento, o que está em causa é a aprovação destas duas candidaturas de 100 mil euros cada uma.

● A necessidade de envolver todas as forças políticas, particularmente o PS que poderá ainda não estar ganho para este processo.

● Já foram feitas algumas intervenções no terreno, nomeadamente: a vedação do recinto desportivo, os portões e uma pequena instalação de apoio.

● Foi lembrado o apoio da CMM, do saudoso construtor civil Avelino da Costa Rodrigues, de outros banheirenses amigos do clube e dos associados.

● O campo de futebol municipal não serve os clubes da Baixa da Banheira

● O parque desportivo serviria a UDCB, os outros clubes da Baixa da Banheira e a própria população, há tantos jovens que gostariam de jogar futebol e não têm onde o praticar.

● Foi questionado o número de jovens que a União Banheirense tem a praticar desporto.

● A União Banheirense deve melhorar o campo de futebol de 7 existente, arranjar balneários, e pôr as crianças a praticar futebol, a exemplo do CRI e do Moitense.

● Foi sugerida a constituição de um grupo de trabalho, integrado por representantes dos partidos, autarquias, confederação das colectividades, dirigentes e associados da UDCB, que diligencie junto das entidades governamentais, para se conseguir a aprovação das candidaturas financeiras.

● Os partidos presentes, PCP e BE, asseguraram que farão o que estiver ao seu alcance, para apoiar a concretização deste importante projecto para o clube e para a Baixa da Banheira.

● “O que peço é ajuda, ideias que nos possam catapultar para uma situação melhor”, afirmou o presidente da direcção.

J. BA

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